Perto dos olhos, longe do coração

28 de março de 2017

Ela já havia superado a decepção de mais um "não" na cara, já podia olhá-lo e conversar ele novamente sem sentir os olhos cheios de lágrimas e o coração cheio de mágoa. Mas esse mesmo coração ainda pertencia a ele, por mais que ela tentasse evitar.

As amigas diziam: "esquece esse cara, você precisa partir pra outra, não precisa dele pra ser feliz". Ora, como ela poderia esquecê-lo, se ele estava sempre por perto? Como poderia se afastar, se trabalhavam no mesmo escritório, e ainda participavam da mesma roda de amigos no final de semana? Pior ainda: como esquecer esse amor tão grande, se cada tentativa de deixar os sentimentos de lado falhava no primeiro sorriso?

Ela sabia que não podia obrigá-lo a corresponder seus sentimentos, e que não valia a pena estragar uma amizade de longos anos por conta disso. Mas o coração da gente é teimoso, insiste em querer o inalcançável, e isso dói. E como dói.

Só mesmo o tempo poderia dar um jeito nas coisas, já que se afastar de tudo era praticamente impossível. Poderia levar algumas semanas, quem sabe até alguns meses, até que seu coração estivesse totalmente livre e aberto a um novo amor... mas naquele exato momento, não havia outra escolha: teria que manter a convivência da forma mais natural possível. Teria que ser forte o suficiente pra não perder a cabeça ao vê-lo ali, tão perto de seus olhos, mas tão longe do coração.

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